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Uma Lagarde prudente e sem grandes pistas deixa os analistas incertos sobre o que vem a seguir

Analistas consideram que o BCE deixou a porta entreaberta, não rejeitando diretamente novas subidas, mas voltando a não se comprometer com uma tendência.

11 Set 2026 - 06:54

3 min leitura

Foto: BCE

Foto: BCE

A subida das taxas de juro de referência pelo Banco Central Europeu (BCE) para 2,5% não surpreendeu os mercados, que já descontavam essa subida há algum tempo. O grande mistério fica em torno do que vem a seguir.

A ‘chief investment strategist’ para a Alemanha, Áustria, Suíça e Europa de Leste do BlackRock Investment Institute, Ann-Karin Petersen, considera que a amplitude dos cenários postos em cima da mesa nas previsões do BCE demonstra o “quão difícil é percecionar a persistência da recente pressão inflacionária”. Neste sentido, realça, em comunicado, que a líder do BCE, Christine Lagarde, mostrou-se prudente e não se comprometeu, como tem sido habitual, com uma tendência nas taxas de juro, mas também “evitou declarar vitória” em relação à inflação.

Por sua vez, Roman Ziruk, analista da Ebury, argumenta, citado em comunicado, que “as comunicações do BCE podem ser interpretadas como tendo, no mínimo, uma inclinação ‘hawkish’. A presidente Lagarde repetiu o seu mantra de que as decisões serão tomadas reunião a reunião e dependem dos dados. No entanto, não contrariou as expectativas ‘hawkish’ do mercado”.

Também a XTB destaca a mensagem “relativamente equilibrada” do regulador. Em comunicado, sublinha que, por um lado, o BCE enalteceu o crescimento económico e a resiliência da economia do euro, ao mesmo tempo que não esqueceu as ameaças inflacionistas causadas pelo preço da energia.

Subida em dezembro incerta

Em relação a uma terceira subida até ao final de 2026, não é possível reunir consensos. Ziruk adianta que, na Ebury, não estão “convencidos de que o BCE venha a apertar ainda mais a política monetária além do que foi anunciado” nesta quinta-feira. Contudo, reitera que o banco central está “claramente a fazer tudo o que está ao seu alcance para preservar a flexibilidade necessária para continuar a aumentar as taxas, caso seja necessário”, aponta.

Henrique Valente, analista da ActivTrades Europe, também caracteriza a presidente do BCE como prudente ao deixar o futuro em aberto. “Embora Lagarde não se tenha comprometido com novas subidas, o mercado antecipa pelo menos mais um aumento até ao final do ano, que poderá levar a taxa de depósito aos 2,75%”, afirma.

Já Petersen acredita que o BCE manteve a sua inclinação para taxas mais elevadas, mas, ao mesmo tempo, “preservou a sua flexibilidade”. Recordando que as taxas atuais estão no limite superior do intervalo neutro estipulado pelo supervisor, a ‘chief investment strategist’ considera que pode haver novo aumento em 2026 “caso as pressões sobre os preços impulsionadas pelos custos da energia persistam”.

Ainda assim, alerta que uma nova subida iria além do neutro e colocaria a política monetária em “território restritivo”. “A possibilidade de aumentos das taxas para 3% ou mais parece improvável sem evidências claras de inflação de ‘segunda vaga’”, defende.

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