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A dança das carteiras de crédito
Por Miguel Alexandre Ganhão, Diretor do Jornal PT50
03 Out 2026 - 07:40
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Miguel Alexandre Ganhão Diretor do Jornal PT50
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Miguel Alexandre Ganhão Diretor do Jornal PT50
A semana ficou marcada pela realização da 4.ª Convenção da Associação Nacional de Intermediários de Crédito Autorizados (ANICA), que decorreu em Lisboa e reuniu centenas de profissionais. A confirmação de uma realidade que se foi consolidando ao longo dos anos partiu do próprio regulador. Os representantes do Banco de Portugal afirmaram que o setor da intermediação é hoje o principal meio de distribuição de crédito no sistema financeiro.
Mas a progressiva digitalização coloca novos desafios e obriga a respostas inteligentes. O mesmo se exige perante o fenómeno da subida das taxas de juro, que veio para ficar, pelo menos, até ao final de 2027.
Mas talvez, neste ponto, a resposta que o setor da intermediação está a dar mereça alguma reflexão. Muitos dos intermediários com quem falei durante o evento alertaram-me para aquilo que consideram ser o “novo motor” do negócio da intermediação: a rotação de carteiras.
Quero com isto ilustrar a possibilidade de clientes que já contrataram o seu crédito junto do banco A, B ou C serem aliciados, através da intermediação, a transferir esse contrato para o banco D, E ou F. Segundo alguns testemunhos que ouvi, essa rotação chega a ser feita com clientes que ainda nem sequer cumpriram um ano de contrato.
Não se discute a legitimidade do consumidor em querer melhorar as condições do seu empréstimo perante um aumento das prestações. Também não se discute a lealdade do intermediário quando o seu cliente o procura, dizendo que está a tornar-se difícil cumprir os pagamentos exigidos e pedindo novas e melhores condições.
Mas, neste processo, pergunto: como ficam os bancos?
Sempre se defendeu o triângulo virtuoso entre a banca, a intermediação de crédito e os clientes. Mas, quando as condições se tornam mais difíceis, como equilibrar todos estes interesses?
O que faz um banco quando vê dezenas de clientes que angariou perderem-se para a concorrência através de um intermediário com quem mantém um contrato? E estará o interesse do consumidor verdadeiramente defendido quando é o próprio intermediário a sugerir a mudança?
Estas são questões que, inevitavelmente, vão surgir a reboque do aparecimento de condições de crédito mais duras, agravadas por uma conjuntura económica que parece ser cada vez mais difícil.
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