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Centeno defende que os serviços do Banco de Portugal não cabem no edifício escolhido por Álvaro Santos Pereira

Antigo governador explicou aos deputados que, quando assinou o contrato com a Fidelidade, eram necessários dois imóveis (A2 e A3)

10 Jul 2026 - 09:03

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Álvaro Santos Pereira e Mário Centeno | Fotos: BCE

Álvaro Santos Pereira e Mário Centeno | Fotos: BCE

O antigo governador do Banco de Portugal afirmou ontem, no Parlamento, que, quando assinou o contrato com a Fidelidade, eram necessários dois imóveis para albergar os serviços da instituição. Mário Centeno salientou que o edifício A1 é mais pequeno do que a soma dos edifícios A2 e A3, sublinhando que, no momento em que o Banco de Portugal estudou a localização, a instituição “não cabia no A1”.

O atual governador, Álvaro Santos Pereira, que também foi ouvido ontem na Comissão de Orçamento, Finanças e Administração Pública (COFAP), revelou que o supervisor vai celebrar um aditamento ao contrato assinado por Centeno, de forma a adquirir apenas um edifício (A1). Santos Pereira justificou esta decisão com a análise da forma como as equipas trabalham no edifício da Rua de Álvaro Pais, nomeadamente através do recurso a espaços open space e da flexibilização do teletrabalho, bem como com o reforço da rede regional, que permitirá reduzir o número de trabalhadores em Lisboa.

Segundo o governador, o investimento num único edifício terá um custo de 165 milhões de euros, o que representa uma poupança imediata para o Banco de Portugal entre 30 e 40 milhões de euros.

Ouvido pelos deputados após Álvaro Santos Pereira, Mário Centeno afirmou que, com base nos valores da solução anunciada pelo atual governador, os edifícios cuja aquisição decidiu no ano passado já valorizaram cerca de 10 milhões de euros.

Em maio do ano passado, o Banco de Portugal — então ainda liderado por Mário Centeno — anunciou a assinatura de um contrato com a Fidelidade para adquirir as futuras instalações da instituição pelo valor de 191,99 milhões de euros.

Centeno afirmou que, “a julgar pelos valores que agora vieram a público”, aquilo que o banco adquiriu no ano passado já valorizou quase 10 milhões de euros.

“Se o banco vendesse hoje aqueles dois edifícios no mercado ao preço pelo qual está a comprar o A1, seriam 10 milhões”, reiterou, deixando aos deputados a pergunta retórica sobre se “10 milhões de euros é pouco na valorização de um investimento em menos de um ano”.

“Eu acharia brilhante se me apresentassem esse negócio”, brincou, acrescentando que “não há muitos investimentos desta dimensão com esta capacidade de valorização”.

Relativamente aos valores finais da compra dos edifícios, sobre os quais existiam dúvidas no ano passado, Centeno assumiu que a transparência é um valor essencial, mas garantiu que o ministro das Finanças “sabia todos os números deste projeto”.

O ex-governador salientou ainda que o atual governador referiu, durante a audição, intervalos de preços para os acabamentos do futuro edifício. Com isso, considerou, “o banco, neste momento, perdeu poder negocial, porque revelou ao mercado qual é a sua disponibilidade para pagar”.

Centeno sustentou que as negociações obrigavam o banco a alguma contenção durante a fase negocial, o que “se calhar pode estar em choque com determinadas visões de transparência”, mas que, “se não fosse assim, quem sairia prejudicado seria o banco, os seus dividendos, as contas públicas e o acionista do banco central, que é o Estado”.

Agência Lusa

Editado por Jornal PT50

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