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Francisca Solnado do Jornal PT50 entrevistou Daniela Simões cofundadora da miio

Engenheira de formação e empreendedora por vocação, Daniela Simões explica como uma ideia nascida da experiência quotidiana de quem conduzia um veículo elétrico deu origem a uma plataforma de carregamento de veículos utilizada hoje por cerca de meio milhão de pessoas. A missão da miio sempre foi clara: simplificar um mercado que, há poucos anos, era complexo, pouco transparente e difícil de utilizar.

Fundada em 2019, a empresa começou com uma equipa de apenas quatro pessoas, onde todos acumulavam funções e aprendiam diariamente com os utilizadores. A proximidade à comunidade revelou-se um dos fatores decisivos para a evolução do produto e para a afirmação da marca num setor em rápida transformação.

Desde então, a empresa diversificou a sua atividade, expandindo-se para o segmento empresarial com soluções para a eletrificação de frotas, desenvolvendo uma área de comércio eletrónico dedicada à mobilidade elétrica e preparando a sua expansão internacional. Pelo caminho, contou com diferentes fases de financiamento, desde o apoio de business angels e da Portugal Ventures até à entrada estratégica da Repsol no capital da empresa.

Mas o percurso esteve longe de ser linear. Poucos meses depois da criação da miio, a pandemia de COVID-19 paralisou grande parte da economia mundial. Para Daniela Simões, esse foi um dos momentos mais exigentes da história da empresa, obrigando a equipa a adaptar rapidamente a estratégia, preservar talento e preparar o crescimento quando o mercado recuperasse.

Hoje, a miio é uma empresa financeiramente sustentável, capaz de financiar o seu próprio crescimento e continuar a investir em investigação e desenvolvimento sem depender de novas rondas de capital. Uma evolução que resulta de uma gestão prudente e de uma visão de longo prazo.

Essa mesma abordagem estende-se à forma como Daniela gere as suas finanças pessoais. Cresceu numa família onde os recursos eram limitados e aprendeu desde cedo o valor da disciplina financeira. Recorda a adolescência a gerir cuidadosamente uma pequena mesada, procurando equilibrar despesas, atividades sociais e objetivos pessoais. Antes de iniciar a vida profissional, fazia pequenos trabalhos manuais, participava em concursos de literatura e candidatava-se a bolsas de mérito para financiar projetos e estudos.

Essa experiência moldou uma relação equilibrada com o dinheiro. Daniela admite que continua a ser prudente, mas distingue claramente poupar de investir. Considera fundamental constituir um fundo de emergência, mas acredita que o verdadeiro crescimento patrimonial passa pela capacidade de investir de forma consciente e de aceitar algum nível de risco.

Ao longo da conversa partilha também uma das maiores aprendizagens da sua experiência como fundadora: uma ronda de investimento não deve ser encarada como dinheiro que precisa obrigatoriamente de ser gasto. Pelo contrário, preservar liquidez e manter margem de manobra pode fazer toda a diferença quando surgem períodos de incerteza. A flexibilidade financeira, defende, permite tomar decisões estratégicas em vez de apenas reagir às circunstâncias.

Curiosamente, quando lhe perguntam qual foi o melhor investimento que fez na vida, a resposta não envolve mercados financeiros nem empresas. Daniela aponta o seu companheiro de vida e pai do seu filho como o investimento mais importante, sublinhando que a qualidade das relações pessoais é determinante para alcançar estabilidade, felicidade e capacidade para assumir desafios profissionais.

A sua definição de riqueza também se afasta das métricas tradicionais. Mais do que acumular património, valoriza o tempo para aprender, evoluir e escolher os projetos em que quer investir energia. O conhecimento, afirma, multiplica-se ao longo da vida e representa um dos ativos mais valiosos que qualquer pessoa pode construir.

As respostas rápidas da rubrica “Carteira Aberta” confirmam esta visão. Prefere investir a poupar, valoriza a qualidade acima do preço, considera essencial criar primeiro um fundo de emergência e, perante a escolha entre mais dinheiro ou mais tempo, escolhe sem hesitar o tempo.

E se lhe saísse o Euromilhões? Daniela Simões garante que não deixaria de trabalhar. Compraria sobretudo liberdade: liberdade para passar mais tempo com a família, viver novas experiências e escolher apenas os problemas que verdadeiramente gostaria de resolver. Porque, para quem construiu uma empresa a partir de uma convicção, o maior luxo não é deixar de fazer, mas poder decidir o que vale realmente a pena fazer.

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