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IA para todos os reguladores e o futuro do consumo

Por Gonçalo Freire, Secretário-Geral da Fundação Alfredo de Sousa e Head of Open Innovation, Swiss Fintech Association

21 Mai 2026 - 14:00

4 min leitura

Recentemente, a notícia de que a Anthropic irá apresentar os riscos de cibersegurança do seu modelo Claude Mythos a reguladores financeiros do G20 é um ponto de partida crucial para entendermos o momento que vivemos. Não se trata de uma mera atualização tecnológica, mas sim de um convite à reflexão sobre como a inteligência artificial generativa está a moldar o nosso mundo, especialmente o financeiro.

A disponibilização de ferramentas avançadas como o Claude Mythos a todos os reguladores e bancos centrais é um passo fundamental. A complexidade dos mercados financeiros e a velocidade com que a informação circula exigem que as entidades de supervisão possuam as mesmas ferramentas, ou até mais avançadas, que as instituições que regulam. A Austrália, por exemplo, já alertou para a necessidade urgente de ação em cibersegurança face a estes modelos. Isto demonstra que a preocupação não é teórica, mas sim prática e iminente.

Os modelos de linguagem, como o Mythos, têm uma dualidade inerente. Podem ser ferramentas poderosas para a análise de risco, deteção de fraudes e otimização de processos. Contudo, como qualquer tecnologia poderosa, apresentam vulnerabilidades. A partilha transparente destas informações com os reguladores é um sinal de maturidade e responsabilidade por parte das empresas de IA. É essencial que os bancos centrais e outras entidades reguladoras compreendam profundamente as capacidades e os riscos associados a estas tecnologias para poderem legislar e supervisionar de forma eficaz. A Índia já expressou preocupações sobre o impacto do Mythos no seu sistema bancário, o que sublinha a necessidade de uma abordagem global e coordenada.

Paralelamente, a IA generativa está a revolucionar a forma como os consumidores tomam decisões. Pensemos na facilidade com que hoje podemos obter recomendações personalizadas de produtos financeiros, comparar opções de investimento ou até mesmo obter explicações sobre conceitos complexos. A IA pode processar vastas quantidades de informação e apresentá-la de forma acessível e adaptada às necessidades individuais. Isto empodera o consumidor, permitindo-lhe fazer escolhas mais informadas e alinhadas com os seus objetivos.

No entanto, esta facilidade de acesso à informação também levanta questões sobre a autenticidade e a parcialidade das recomendações. As empresas de IA estão a correr para automatizar empregos, como aponta uma análise recente. É preciso garantir que a IA generativa não se torne uma ferramenta para manipular escolhas, mas sim para as enriquecer. A transparência nos algoritmos e a educação do consumidor sobre como estas ferramentas funcionam são cruciais para mitigar estes riscos.

No sistema financeiro, a tokenização surge como uma necessidade premente. A representação de ativos, sejam eles imobiliários, ações ou até mesmo arte, em formato digital, promete trazer liquidez, eficiência e acessibilidade a mercados que tradicionalmente são ilíquidos e restritos. A tokenização pode democratizar o acesso ao investimento, permitindo a posse fracionada de ativos de alto valor.

O que falta fazer para que a tokenização se torne uma realidade generalizada? A regulamentação é, sem dúvida, um dos pilares. É necessário um quadro legal claro e harmonizado que defina o estatuto dos tokens, proteja os investidores e estabeleça as regras de operação para as plataformas de tokenização. A interoperabilidade entre diferentes blockchains e sistemas financeiros tradicionais é outro desafio. Precisamos de pontes robustas que permitam a circulação segura e eficiente de ativos tokenizados.

A cibersegurança, novamente, assume um papel central. A proteção dos ativos digitais e das transações contra ataques cibernéticos é fundamental para a confiança no sistema. A adoção de padrões de segurança rigorosos e a constante vigilância são indispensáveis.

A velha ordem tecnológica está a morrer e a nova ainda não nasceu completamente. Estamos numa fase de transição, onde a IA generativa e a tokenização são forças motrizes. A disponibilização de ferramentas como o Claude Mythos aos reguladores é um passo na direção certa para garantir que esta transição seja segura e benéfica para todos. A forma como navegarmos estes desafios definirá o futuro do sistema financeiro e a forma como interagimos com ele no nosso dia a dia. A educação e a colaboração entre a indústria, os reguladores e o público serão as chaves para desbloquear o potencial destas tecnologias.

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