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3 min leitura

Será a soberania financeira incompatível com a União Bancária?

Por Miguel Alexandre Ganhão, Editor Executivo do Jornal PT50

09 Mai 2026 - 09:54

3 min leitura

Miguel Alexandre Ganhão, Editor-executivo Jornal PT50

Miguel Alexandre Ganhão, Editor-executivo Jornal PT50

A questão da União Bancária coloca-se como o passo mais importante para a Europa desde a criação da moeda única. Trata-se de uma escolha definidora daquilo que a União Europeia quer — e pode — ser nos próximos 50 anos. Contudo, os discursos e os apelos dos responsáveis europeus chocam frontalmente com as realidades nacionais.

Enquanto o vice-presidente do Banco Central Europeu (BCE), o espanhol Luís de Guindos, a comissária europeia dos Serviços Financeiros, a portuguesa Maria Luís Albuquerque, e o presidente do Eurogrupo, o grego Kyriakos Pierrakakis, fazem discursos dramáticos sobre a necessidade de acelerar a União Bancária, a tentativa de aquisição do banco alemão Commerzbank pelo italiano UniCredit depara-se com um veto silencioso do executivo alemão.

O chanceler Friedrich Merz deixou bem claro o que pensa desta “concentração”. “As coisas não se fazem assim”, afirmou, acusando o banqueiro italiano Andrea Orcel de estar “a destruir a confiança no sistema financeiro”.

Os mesmos países que aceitaram abdicar das respetivas moedas nacionais em prol de uma moeda única não conseguem abdicar da soberania financeira que os bancos nacionais lhes garantem, em detrimento da criação de bancos europeus fortes, capazes de competir em dimensão, negócio e investimento com os grandes bancos norte-americanos e chineses.

Este choque revela as fragilidades que ainda subsistem na União Europeia, agora agravadas pelas mudanças geopolíticas a que o mundo assiste.

A União Bancária só será possível se, antes disso, os países chegarem a acordo sobre um conjunto de boas práticas a aplicar em operações de aquisição dentro da União Europeia. Essas regras deverão ser extensíveis aos acionistas.

Com a definição de critérios claros e assentes em sólidas razões de racionalidade económica, será afastado o fantasma do “golpe de Estado financeiro” e reforçada a soberania europeia no palco mundial.

Uma outra fratura começa, impercetivelmente, a revelar as suas fissuras: a eleição do próximo presidente do Banco Central Europeu (BCE). Com o fim do mandato de Christine Lagarde, a 31 de outubro de 2027, começam já a perfilar-se os sucessores. E, mais uma vez, o norte e o sul da Europa preparam-se para se confrontar.

Chamo a atenção para o discurso proferido esta semana por Isabel Schnabel, membro da Comissão Executiva do BCE e uma das possíveis sucessoras de Lagarde. Intitulado “A erosão silenciosa da independência dos bancos centrais”, trata-se de um verdadeiro manual de economia política que merece ser analisado antes de os países iniciarem a ronda de contactos destinada a definir os blocos políticos de apoio a cada candidato.

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