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IA pode trazer até 306 mil milhões de euros de valor adicional para os bancos em todo o mundo
Relatório da ACT, Connect Europe e UNI Europa, com a colaboração da Federação Bancária Europeia, analisa os impactos económicos e éticos da inteligência artificial generativa no setor bancário
03 Ago 2026 - 19:22
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Foto: Adobe Stock/Prostock-studio
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A adoção da inteligência artificial generativa (GenAI) poderá gerar entre 180 mil milhões e 306 mil milhões de euros de valor adicional para os bancos em todo o mundo, um montante equivalente a 9% a 15% dos atuais lucros operacionais do setor. Esta é uma das principais conclusões de um relatório conjunto da ACT, da Connect Europe e da UNI Europa, elaborado com a colaboração da Federação Bancária Europeia divulgado nesta segunda-feira.
O estudo apresenta uma avaliação abrangente do impacto da inteligência artificial generativa (GenAI) na economia de serviços, incidindo sobre os setores audiovisual, bancário e das telecomunicações na Europa.
No caso do setor bancário, prevê-se que «a banca de empresas e a banca de retalho sejam as áreas que mais beneficiarão desta adoção, enquanto as áreas das tecnologias de informação (TI), das finanças e da gestão de talento e organização deverão registar os menores ganhos». Segundo o relatório, «este potencial crescimento económico explica-se pelos ganhos de produtividade esperados com a integração da GenAI nos diversos processos».
O estudo considera ainda que a crescente adoção da GenAI poderá alterar significativamente a concorrência no setor bancário. «Um exemplo é o aumento da competição entre os bancos tradicionais e as empresas de tecnologia financeira (fintech). Tal acontece porque os bancos estabelecidos estão sujeitos a enquadramentos regulamentares mais exigentes do que as empresas fintech, o que limita a sua capacidade de inovar e de adotar soluções de GenAI. Na prática, isto significa que as fintech se encontram, em muitos casos, melhor posicionadas para aproveitar as oportunidades proporcionadas por esta tecnologia.»
Ao mesmo tempo, a adoção da GenAI poderá também ter efeitos negativos na concorrência, ao reduzir a diversidade do mercado. O relatório refere, por exemplo, que «uma maior dependência da GenAI na tomada de decisões poderá originar um efeito de comportamento de manada (herding), em que diferentes bancos adotam decisões sincronizadas, acabando por distorcer a formação dos preços de mercado. Paralelamente, embora ainda não exista evidência empírica conclusiva, muitos académicos consideram que este comportamento poderá aumentar a vulnerabilidade dos bancos ao risco sistémico, devido à maior probabilidade de enfrentarem dificuldades em simultâneo».
O estudo conclui igualmente que a concorrência entre bancos de maior e de menor dimensão está a ser afetada, uma vez que as instituições de maior dimensão dispõem de orçamentos muito mais elevados para investimento em tecnologias de informação. Como referiu um dos entrevistados, «os grandes bancos estão a investir fortemente em inteligência artificial e dispõem de ambientes próprios de desenvolvimento, enquanto os bancos mais pequenos continuam à espera».
Consequentemente, a adoção da GenAI poderá reforçar as desigualdades já existentes no setor, permitindo que os grandes bancos consolidem ainda mais a sua vantagem competitiva, enquanto as instituições de menor dimensão enfrentam maiores dificuldades para acompanhar esta evolução tecnológica.
A implementação da GenAI exige investimentos significativos por parte das empresas, tanto na instalação como na manutenção da tecnologia. No caso dos bancos, esta realidade contribui para a incerteza quanto à rentabilidade da sua adoção. As instituições têm de gerir cuidadosamente os custos associados à tecnologia, o que pode implicar um acompanhamento adicional da capacidade de computação, do armazenamento, da utilização de tokens, da utilização de dados e da respetiva transferência.
Este contexto cria um duplo desafio: controlar os custos da tecnologia e, simultaneamente, preservar a competitividade. Em termos gerais, os impactos económicos da GenAI materializam-se sobretudo através da redução de custos e do aumento da produtividade ao nível das empresas.
O relatório analisa igualmente os impactos éticos da inteligência artificial generativa no setor bancário. Segundo o documento, «a utilização da GenAI em áreas sensíveis, como a avaliação da solvabilidade dos clientes (credit scoring) e os processos de recrutamento, levanta preocupações relacionadas com a discriminação e a transparência, sendo o enviesamento algorítmico um dos principais riscos para a sua utilização ética».
Um dos entrevistados salienta que «as políticas de não discriminação são importantes; a inteligência artificial não deve discriminar ninguém e devem existir sistemas de monitorização contínua da IA». O mesmo defende que as Avaliações de Impacto sobre a Proteção de Dados (AIPD) (Data Protection Impact Assessments – DPIAs) deveriam tornar-se uma prática corrente em todas as implementações de sistemas de inteligência artificial.
Contudo, os entrevistados reconhecem igualmente que, em determinadas circunstâncias, a GenAI pode contribuir para reduzir preconceitos e enviesamentos. Como referiu um dos participantes, «ter um sistema a tomar determinadas decisões pode, na realidade, reduzir o enviesamento humano». Esta perspetiva demonstra que a GenAI tanto pode reforçar como mitigar fenómenos de discriminação, dependendo da forma como os modelos são treinados e da forma como os sistemas são monitorizados.
Quando treinada com dados fiáveis e representativos, a GenAI pode revelar-se menos enviesada do que os decisores humanos, permitindo processos de decisão mais justos. À medida que esta tecnologia é cada vez mais utilizada para apoiar decisões em domínios sensíveis, torna-se essencial que os modelos sejam treinados com conjuntos de dados representativos e isentos de enviesamentos.
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