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José Manuel Fonseca: “O risco climático é o número um”

Maior risco vai depender sempre da empresa e da sua área de atuação, nota o CEO do Grupo MDS. Corretora espera fechar 2025 com receitas de 260 milhões.

15 Nov 2025 - 08:17

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Foto: Grupo MDS

Foto: Grupo MDS

O CEO do Grupo MDS, José Manuel Fonseca, reiterou que “o risco climático é o número um”. O líder da corretora portuguesa falava numa conversa com jornalistas, nesta sexta-feira, e, quando questionado sobre o tema, colocou este tópico no topo das preocupações para a averiguação de risco.

Mais especificamente, o CEO fala numa vertente de “fogos e inundações”, mas que, “de uma maneira mais simpática”, se pode chamar de risco climático. “É de uma violência absolutamente brutal”, caracteriza, por duas razões. A primeira é a severidade, pois são eventos “catastróficos”, e a recorrência. “Não é uma vez de cinco em cinco anos. Agora é todos os meses e em vários sítios do mundo ao mesmo tempo”, realça.

Contudo, nota que os riscos mais relevantes vão depender da área de atuação da empresa em questão. No que diz respeito ao risco climático, dá o exemplo da hotelaria, especialmente em ilhas e zonas costeiras.

A questão vem a propósito da RCG – empresa de consultoria de risco pertencente ao grupo e que atua a nível global – e que tem clientes em diversas áreas, como a banca. “A RCG é uma empresa que tem a paleta toda da consultoria de risco, desde as análises mais simples de risco até ao que chamamos de gestão de crise, que é uma visão totalmente holística do risco de uma empresa. Desde a reputação da marca à retenção de talento e até ao risco de incêndio”, ilustra.

José Manuel Fonseca comenta que a empresa é “muito forte em risco industrial”, com, por exemplo, cimenteiras, empresas siderúrgicas, de energia e grandes empresas de petróleo.

Sobre a dimensão do negócio da RCG em Portugal, o CEO não adiantou muitos detalhes. Explica que Portugal não é significante pois o país em si é um mercado relativamente pequeno e, além disto, não é um mercado “comprador” destes serviços, como é o caso dos EUA e, cada vez mais, do Brasil.

O outro risco que apontou como sendo de maior importância nos dias que correm é a cibersegurança.

MDS vai continuar saga de aquisições

Entre os avanços do Grupo MDS, destacam-se as aquisições feitas em anos recentes. Foram 41 aquisições desde 2022, num investimento total superior a 400 milhões. Só em 2025, já são 17. Questionado sobre se estas vão abrandar, o CFO, José Diogo Silva, indicou que pretendem continuar com a estratégia de crescimento inorgânico e espera uma média de 10 a 15 aquisições anuais.

O grupo já está presente diretamente em 12 países e, sobre a expansão para novas geografias, indica que está concentrado nas áreas adjacentes àquelas onde já se encontra. De forma mais detalhada, esperam crescer na América Latina, tendo já presença no Brasil e no Chile. México, Colômbia e Perú surgem como mercados de interesse.

A presença internacional do Grupo MDS também está ligada à Brokerslink, uma empresa fundada em 2004 pelo grupo e que liga vários corretores por todo o mundo. Sediada na Suíça, esta empresa detém a rede de corretores mencionada e leva a MDS a 140 países. O grupo mantém-se como o maior acionista da Brokerslink.

Ainda na ótica das aquisições, o CEO esclarece que é mais provável que a MDS adquira corretores que estejam dentro da rede Brokerslink, ainda que não seja necessário estarem.

O Grupo MDS espera, até ao final de 2025, arrecadar cerca de 260 milhões em receitas proforma. Face a 2022, este é um crescimento de 2,7 vezes, segundo a empresa. Os prémios geridos triplicaram de perto de mil milhões para mais de 3 mil milhões, no mesmo período. O número de colaboradores supera os 2500, com mais de 500 a estarem presentes em Portugal.

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