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O alerta de Lagarde sobre o clima: «Quase três quartos das empresas da zona euro dependem de pelo menos um serviço prestado pela natureza»

Presidente do BCE considera que a «Europa precisa de um sistema elétrico que tire o máximo proveito da eletricidade limpa e barata produzida localmente»

04 Nov 2026 - 14:07

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Foto Christine Lagarde | Parlamento Europeu

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Foto Christine Lagarde | Parlamento Europeu

A presidente do Banco Central Europeu (BCE) lançou, nesta quarta-feira, um sério alerta sobre o impacto das alterações climáticas na economia da zona euro. Intitulada «Um alerta do verão quente da Europa», a mensagem de Christine Lagarde analisa as consequências do verão de 2026 em vários países europeus.

Embora a equipa do BCE tenha estimado que as condições climáticas extremas deste verão tiveram «apenas um efeito pequeno e temporário na atividade da zona euro», Lagarde alerta para o facto de a exposição da economia europeia ser significativa: «Quase três quartos das empresas da zona euro dependem fortemente de pelo menos um serviço prestado pela natureza, sendo os serviços relacionados com a água os mais vulneráveis. Os choques climáticos podem deixar marcas profundas nas regiões afetadas, aumentando a volatilidade económica e amplificando os efeitos de outros choques».

«Em média, a atividade económica nas regiões afetadas é 1,5% inferior dois anos após uma onda de calor e 3% inferior quatro anos após uma seca, em parte devido à menor produtividade e à migração de pessoas. As condições áridas do verão também agravaram significativamente as perspetivas de abastecimento agrícola na Europa e podem fazer aumentar a inflação dos alimentos no próximo ano», refere a responsável.

O calor e a seca não são, contudo, as únicas ameaças. Segundo Lagarde, «quase 12% da produção económica da zona euro está exposta a riscos relacionados com uma proteção insuficiente contra inundações, o que pode provocar perdas devastadoras, como as que se verificaram em Espanha e em muitos outros locais da Europa nos últimos anos. Recuperar destas perdas não é simples».

A presidente do BCE acrescenta que «historicamente, apenas um quarto das perdas catastróficas na Europa foi coberto por seguros, o que significa que as famílias e as empresas suportam frequentemente a maior parte dos custos, a menos que as autoridades orçamentais sejam chamadas a intervir com apoios que já não conseguem suportar».

Para a presidente do BCE, a Europa deve estabelecer três prioridades em matéria de clima.

Em primeiro lugar, «à medida que os fenómenos climáticos extremos se tornam uma característica regular dos nossos verões, a Europa deve preparar-se proativamente e estar mais bem protegida contra as suas consequências financeiras. O Quadro da UE para a Resiliência Climática, da Comissão Europeia, oferece uma resposta sistémica para reforçar a proteção climática em todas as principais áreas de intervenção política, melhorar a disponibilidade e a utilização dos dados e criar uma oportunidade para avançar com uma proposta do BCE e da EIOPA destinada a aumentar a cobertura dos seguros contra riscos climáticos, através de um regime de resseguro público-privado à escala da UE».

Em segundo lugar, «a Europa precisa de um sistema elétrico que tire o máximo proveito da eletricidade limpa e barata produzida localmente. O Plano de Ação para a Eletrificação da Comissão Europeia visa, acertadamente, duplicar a quota da eletricidade no consumo final de energia até 2040. No entanto, tal só será possível se as redes e a capacidade de armazenamento acompanharem esse ritmo».

Por último, Lagarde considera que, «uma vez que a expansão da rede elétrica levará tempo, a Europa deveria facilitar o autoconsumo energético das empresas durante esse período. As fábricas estão a instalar os seus próprios painéis solares e baterias para reduzir custos e, como as novas ligações à rede demoram entre dois e dez anos, os centros de dados estão a investir em sistemas próprios de produção e armazenamento de energia. Regras comuns da UE poderiam permitir que as empresas com produção e armazenamento de energia próprios, no local, obtivessem ligações à rede mais cedo, em contrapartida de prestarem apoio à rede quando esta estivesse sobrecarregada».

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