Subscrever Newsletter - Mantenha-se atualizado sobre tudo o que se passa no sistema financeiro.

Subscrever Newsletter

Mantenha-se atualizado sobre tudo o que se passa no sistema financeiro.

Submeter

Ao subscrever aceito a Política de Privacidade

3 min leitura

Presidente do Banco Central do Brasil compara banco Master a equipa da 3.ª divisão do futebol

Numa audiência no Senado, o presidente do Banco Central do Brasil queixou-se da falta de recursos da instituição, admitindo ainda falhas na supervisão devido a tal.

20 Mai 2026 - 09:46

3 min leitura

Foto: Banco Master

Foto: Banco Master

O presidente do Banco Central (BC) do Brasil, Gabriel Galípolo, afirmou nesta terça-feira que o Master não representa risco ao sistema financeiro e comparou o banco a uma equipa da terceira divisão do futebol brasileiro. Galípolo voltou a reafirmar que a liquidação do banco de Daniel Vorcaro, feita pelo BC em novembro de 2025, ocorreu por conta de indícios de irregularidades.

“Concordo que isso está consternando as pessoas (…) Mas o que foi feito com o dinheiro. Um banco S3, espero que os outros bancos S3 não se ofendam – da terceira divisão do futebol que é o sistema financeiro brasileiro”, declarou.

De seguida, disse que o Master é um banco que não oferece risco, porque “é menos de 0,5%” do património total do sistema financeiro.

“Parece-me – tomando uma liberdade aqui (…) que talvez não caiba ao presidente do Banco Central – que o que tem chamado a atenção das pessoas é o que se fazia com o dinheiro que estava no Banco Master, é isso”, afirmou. “É menos um problema de você entender que existe um risco sistémico para o sistema financeiro e mais o que se fazia com aquele dinheiro”, completou durante audiência da Comissão de Assuntos Económicos do Senado.

Na última semana, o portal The Intercept Brasil mostrou que o então banqueiro Daniel Vorcaro ajudou a financiar o filme “Dark Horse”, cinebiografia do ex-presidente brasileiro Jair Bolsonaro. Áudios do senador Flávio Bolsonaro e pré-candidato à Presidência do Brasil nas eleições mostram que ele pediu e cobrou Vorcaro pelo pagamento das parcelas, e o banqueiro chegou a pagar 64 milhões de reais (10,9 milhões de euros).

Operações levadas a cabo pela Polícia Federal do Brasil nas últimas semanas também mostram que Vorcaro custeava gastos de luxo de um senador brasileiro e de um ex-presidente de um banco estatal, em troca de apoio político e institucional. A Polícia brasileira também tem feito várias operações com foco em servidores e gestores de fundos de previdência de cidades brasileiras, por suspeita de fraudes e corrupção ao pegarem os recursos de aposentados e aplicarem no Banco Master.

Atualmente, Daniel Vorcaro está preso em Brasília acusado de cometer fraudes contra o sistema financeiro e por crimes de corrupção. O pai e um primo do ex-banqueiro também foram detidos recentemente por serem, segundo as autoridades policiais,  operadores do esquema criminoso coordenado por Vorcaro, inclusive de uma milícia digital. Dois diretores do Banco Central também foram afastados, suspeitos de receberem imóveis e recursos para favorecerem o Master.

Ainda na audiência do Senado, Galípolo disse que o BC agiu rápido no caso Master ao vetar a venda do banco de Vorcaro ao Banco de Brasília (BRB), atualmente investigado e em crise pelo rombo multimilionário.

Na sequência, o presidente do BC cobrou dos senadores reforço estrutural da autoridade monetária por estar sem recursos para investir em tecnologia e com ‘deficit’ de mil servidores. “O que vai começar a acontecer é o Banco Central, ciente de que o cobertor é curto, ter de escolher o que a gente cobre e o que a gente não cobre”, disse. “A gente vai ter que começar a fazer uma gestão de risco dizendo assim: ‘Não há cobertor para cobrir tudo. O que é mais sistémico vamos passar a analisar’”, frisou.

Subscrever Newsletter

Mantenha-se atualizado sobre tudo o que se passa no sistema financeiro.

Ao subscrever aceito a Política de Privacidade