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Ranking IMD: Portugal tem empreendedores. Falta-lhe gestão.

Por, Filipe Grilo, Docente da Porto Business School e especialista em Economia

30 Jul 2026 - 07:30

3 min leitura

Filipe Grilo, Docente da Porto Business School e especialista em Economia

Filipe Grilo, Docente da Porto Business School e especialista em Economia

Os últimos dados do ranking de competitividade do IMD mostram uma fotografia pouco confortável para Portugal. Portugal continua abaixo da média na competitividade. E o problema nem está na performance económica imediata: o país tem crescido, o emprego resistido e alguns indicadores macroeconómicos até comparam bem. A fragilidade está nos alicerces desse crescimento.

Há dois grandes travões: a eficiência governativa e a eficiência empresarial. Do lado do Estado, continuam a pesar a política fiscal sobre o trabalho, a burocracia e a dificuldade em criar condições simples e previsíveis para a atividade económica. Mas a parte mais desconfortável está nas empresas: parte importante do problema está dentro do tecido empresarial.

Portugal aparece relativamente bem no empreendedorismo inicial. Não somos uma economia sem iniciativa ou sem vontade de criar negócios. Pelo contrário, conseguimos criar empresas. A “empresa na hora” e outras simplificações ajudaram a tornar esse processo mais fácil.

O problema é o que acontece depois. Criar uma empresa não é o mesmo que construir uma empresa competitiva. Abrir portas é uma coisa; gerir bem, ganhar escala, responder ao mercado e competir internacionalmente é outra completamente diferente.

Os indicadores de práticas de gestão mostram fragilidades claras na atenção às mudanças do mercado, na agilidade das empresas e na capacidade de responder rapidamente a oportunidades e ameaças. Isto aponta para um problema de maturação empresarial. Portugal gera iniciativa empreendedora, mas tem dificuldade em transformar essa energia em empresas bem geridas, profissionalizadas e preparadas para mercados exigentes.

Uma parte desta fragilidade pode estar ligada à literacia económica, financeira e de gestão. Muitos empreendedores têm iniciativa, conhecimento técnico e vontade de criar negócios. Mas isso não chega. Saber produzir bem, vender bem ou conhecer tecnicamente um setor não garante capacidade para ler margens, antecipar mudanças de mercado, definir preços, gerir financiamento, internacionalizar, adotar tecnologia ou montar uma governação sólida. A competitividade exige mais do que vontade. Exige gestão.

E esta fragilidade torna-se ainda mais evidente quando olhamos para a inteligência artificial. O IMD já inclui vários indicadores relacionados com IA e, quando os juntamos, a conclusão é difícil de ignorar: Portugal está atrasado nesta corrida. As empresas investem pouco em IA, adotam pouco IA e parecem pouco preparadas para integrar estas ferramentas nos seus processos, produtos e modelos de negócio. Mais uma vez, a competitividade não depende apenas de a tecnologia existir. Depende da capacidade das empresas e das instituições para a usarem de forma produtiva.

E isto é particularmente preocupante porque a IA será uma das grandes fontes de produtividade e crescimento salarial nos próximos anos. Se Portugal chegar tarde a esta transformação, não perde apenas uma moda tecnológica. Perde uma oportunidade de aumentar produtividade, melhorar salários e aproximar-se das economias mais competitivas. O risco é simples: termos conhecimento, termos talento, termos empreendedores, mas continuarmos a falhar no momento decisivo – transformar tudo isso em empresas mais produtivas, mais rápidas e mais competitivas.

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