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Reconstruir uma Europa campeã

Organizada pela CFA Society Portugal, em parceria com a Caixa Gestão de Ativos, foi discutida, em Lisboa, a visão de Mário Draghi sobre como a Europa se pode reinventar.

23 Abr 2026 - 07:30

5 min leitura

Debate sobre o relatório Draghi organizado pela CFA Society Portugal em conjunto com a Caixa Gestão de Ativos

Debate sobre o relatório Draghi organizado pela CFA Society Portugal em conjunto com a Caixa Gestão de Ativos

A Europa tem empresas campeãs em diversos setores económicos, é exportadora de talento e capital, mas fica aquém da China e dos Estados Unidos em muitas matérias nucleares para a nova realidade geopolítica. Estas constatações foram analisadas ontem, em Lisboa, na conferência “Reconstruir a Europa: a visão de Mário Draghi”, uma iniciativa da CFA Society Portugal, em parceria com a Caixa Gestão de Ativos.

O evento contou com um painel de especialistas nacionais e estrangeiros em gestão de ativos, que deram a sua visão sobre como a Europa se pode reerguer e em que setores deve apostar.

Virginie Dubois, da Allianz Global Investors, Rui Martins, da Caixa Gestão de Ativos, e Damien Mariette, do Amundi Group, apresentaram as suas reflexões sobre os caminhos apontados por Draghi em 2024. No final, um painel moderado por Francisco Almeida, CFA do Banco CTT, aprofundou essa visão.

A abertura da conferência ficou a cargo de Ana Cristina do Vale Brízido, presidente da Caixa Gestão de Ativos, que afirmou: “Estamos num momento crucial para a Europa. A visão de Draghi faz hoje todo o sentido face aos acontecimentos geopolíticos a que assistimos.”

Segundo a responsável, “a questão central já não é se a Europa deve investir nas suas fundações, mas onde e a que ritmo esse investimento deve ser feito”.

Na sua intervenção, Rui Martins, da Caixa Gestão de Ativos, defendeu que “hoje, ter competitividade é ter poder. Preservar a soberania é fundamental para garantir o nosso estilo de vida”.

No entanto, segundo o responsável, a Europa tem andado sempre atrás da China e dos Estados Unidos em termos de progresso tecnológico. “Do total das patentes atribuídas em 2024, 50% foram chinesas e 8% europeias”, acrescentou.

Outra das fraquezas da Europa é a sua dependência energética. “A Europa é a geografia mais dependente em termos de energia”, disse Rui Martins, acrescentando que, quando falamos das “terras raras”, a Europa é “quase ausente”.

Para o responsável da Caixa Gestão de Ativos, o grande problema está “na fragmentação”. “Só nos mercados de capitais temos 27 tipos diferentes”, afirmou.

Rui Martins foi perentório: “Para a Europa se desenvolver, precisa de mais investimento, e a Europa do futuro será moldada pelos investimentos do presente.”

Virginie Dubois, da Allianz Global Investors, deu exemplos de alguns “campeões europeus” nas diferentes áreas da economia. Antes, recordou o relatório Draghi, ao afirmar que, já em 2024, “Draghi defendia que a Europa precisava de um choque de investimento e de mais coordenação”.

A responsável referiu um evento que a Allianz Global Investors realizou na semana passada, em Paris, no qual um dos convidados foi Thierry Breton, antigo ministro das Finanças francês. Este colocou a seguinte questão aos presentes: “Qual é o valor-chave que tínhamos nas relações internacionais que desapareceu com a chegada de Donald Trump?” A mesma pergunta foi feita por Virginie Dubois à assistência presente ontem na Culturgest… e a resposta foi a mesma: a confiança.

Segundo a responsável, os investimentos têm de ser dirigidos para setores vencedores. E existem empresas europeias que são verdadeiras “campeãs” mundiais. Deu como exemplos: a ASM International, empresa neerlandesa que atua na área dos semicondutores; a Nokia, empresa finlandesa das telecomunicações; e a Indra, empresa espanhola responsável pelo fornecimento da maior parte dos radares europeus.

Referiu ainda a Sandoz, empresa suíça focada em medicamentos genéricos e biossimilares, a única com capacidade de produzir penicilina de forma integrada; a EDP Renováveis, empresa portuguesa e uma das quatro maiores do mundo em capacidade instalada neste tipo de energias; e a Technip Energies, empresa francesa líder em processos de descarbonização.

Damien Mariette, do Amundi Group, também destacou as vantagens e fragilidades que a Europa apresenta atualmente. “Temos 270 medicamentos considerados críticos que podem estar em risco de fornecimento, porque a Europa não os produz”, afirmou.

Quando se observa a produção de chips, essenciais atualmente para praticamente todo o tipo de indústrias, Damien Mariette salientou que apenas “8% da produção mundial de chips está na Europa e, até ao final da década, o crescimento não irá além dos 12%”.

“Precisamos de reindustrializar a Europa, mas de uma forma mais verde”, acrescentou, salientando que é necessário “investir de forma maciça nas nossas capacidades de produção de energia. A maioria da nossa rede tem mais de 40 anos; são necessárias mais interligações, mais modernas, e é também necessário aumentar a capacidade de armazenamento das energias renováveis”.

Por último, na vertente da Defesa, Damien Mariette apresentou um número impressionante: “Em termos de munições, se a Europa quiser cumprir com os standards da NATO, vai demorar 13 anos a produzir as munições necessárias.”

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