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Álvaro Santos Pereira volta a insistir em soluções do lado da oferta para a habitação

O governador do Banco de Portugal voltou a insistir que o problema da habitação se resolve com mais construção e habitação pública, mas sublinhou que leva o seu tempo.

22 Out 2026 - 19:26

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Álvaro Santos Pereira governador do Banco de PortugalFoto Banco de Portugal

Man in a dark suit and green tie speaking at a podium during a formal event, Banco de Portugal logo on the lectern.

Álvaro Santos Pereira governador do Banco de PortugalFoto Banco de Portugal

O governador do Banco de Portugal (BdP), Álvaro Santos Pereira, insistiu nesta quinta-feira que as soluções para a crise na habitação têm de vir do lado da oferta, com mais construção e habitação pública, apelando a consenso a nível nacional. Num seminário organizado pelo BdP com o Banco de Espanha realizado em Lisboa, Álvaro Santos Pereira salientou que o banco central tem estado a falar no tema da habitação, mas que a sua função é apresentar os dados e não entrar no debate político.

Santos Pereira relembra que falou do tema da habitação no seu dia de tomada de posse, reforçando que não é um tema recente para si. Mais ainda, apontou aos últimos boletins económicos do BdP, onde há capítulos dedicados à habitação.

Sobre o caminho a seguir, o banco central tem vindo a “reiterar há bastante tempo que as soluções têm de vir do lado da oferta, construir mais”, e, por outro lado, a nível internacional, a habitação pública está “bastante abaixo do que acontece na OCDE”, sendo outra área que tem de ser trabalhada.

Para o governador, é necessário aumentar a oferta e habitação pública, admitindo ainda assim que “também existe problema de atração de mão-de-obra para o setor”. O governador do Banco de Espanha, José Luis Escrivá, também presente no painel, salientou que o setor da construção saiu muito danificado da crise anterior e tem tido dificuldade em acompanhar a necessidade de construir casas.

Santos Pereira sinalizou ainda que se deve agilizar licenciamentos e diminuir a burocracia para aumentar a oferta o mais rapidamente possível, assumindo que também se viu noutros países, como no Canadá, na Austrália e na Suécia, que “quando existe desequilíbrio, demora tempo” a resolver. Tal como já referiu antes, faltam 300 mil casas, “uma Lisboa inteira”.

Questionado sobre a influência do tema na estabilidade financeira do país, Santos Pereira recordou que o estudo recente do FMI não aponta nesse sentido, mas, mesmo não sendo um problema para a estabilidade financeira, é um problema de cariz social, que afeta os cidadãos e, portanto, exige resposta.

“O que é importante é coletivamente darmos conta do que está a acontecer, deste desequilíbrio, e tentar chegar ao acordo e consenso possível a nível nacional para darmos soluções ao problema”, apontou, defendendo também a necessidade de trabalhar em conjunto para ultrapassar este desafio. Os governos, o setor privado, as autoridades locais e as universidades devem trabalhar em conjunto para melhorar a situação o mais rápido possível, argumentou.

 

LAA com Lusa

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