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Comissária diz que “é uma vergonha” impedir o aparecimento de grandes bancos europeus
Maria Luís Albuquerque esteve em Roma para se reunir com o vice-primeiro-ministro Antonio Tajani e discutir o fim dos “poderes dourados”.
25 Out 2025 - 08:52
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A Comissária da União Europeia para os Serviços Financeiros considerou ontem “uma vergonha” os entraves que alguns países estão a impor à criação de grandes bancos europeus. “Acho que não facilitar o surgimento de bancos europeus com a escala e o nível de que necessitamos para competir com os nossos verdadeiros concorrentes é sempre uma vergonha”, afirmou Maria Luís Albuquerque em entrevista à RaiNews24, citada pela Reuters. “Temos problemas com o uso de poderes que não deveriam ser utilizados”, acrescentou.
A Comissária foi confrontada com a resistência alemã à tentativa do UniCredit de adquirir o Commerzbank. Recorde-se que, em agosto, o UniCredit atingiu uma participação de 26% no capital do Commerzbank, tendo o CEO da instituição italiana, Andrea Orcel, manifestado o desejo de controlar o banco alemão, cujo segundo maior acionista é o Estado germânico, com 12,11%.
Pouco depois do reforço da posição do UniCredit, o Ministério das Finanças da Alemanha assegurou que não venderia as suas ações no Commerzbank, reforçando assim a sua oposição e classificando os contornos do negócio como “descoordenados e hostis”.
Para Maria Luís Albuquerque, as operações de fusão entre bancos europeus devem ser analisadas pelo Banco Central Europeu (BCE) e pelas autoridades da concorrência. “Se, em qualquer Estado-Membro, houver situações em que outras entidades estejam a interferir neste processo, isso poderá constituir uma violação das regras europeias. Teremos, então, de agir em conformidade, porque essa é a nossa obrigação”, afirmou a Comissária.
Para além do caso do UniCredit e do Commerzbank, também a Oferta Pública de Aquisição (OPA) lançada pelo BBVA sobre o Banco Sabadell esteve sob o escrutínio de Maria Luís Albuquerque. O Governo de Pedro Sánchez impôs um conjunto de exigências para dar “luz verde” ao negócio que, alegadamente, contrariavam as regras comunitárias — situação que levou a Comissária a deslocar-se várias vezes a Espanha para reunir com o ministro da Economia, Carlos Cuerpo.
Durante a visita a Roma, e em declarações à emissora pública italiana, Maria Luís Albuquerque recusou comentar uma notícia da Reuters segundo a qual a Comissão Europeia se preparava para abrir dois processos de infração contra a Itália pela utilização dos chamados “poderes dourados”.
Ainda esta semana, a Reuters noticiou que o ministro da Economia italiano, Giancarlo Giorgetti, iria pedir explicações à Comissária dos Serviços Financeiros sobre a adoção de medidas disciplinares contra a Itália.
Os “poderes dourados” em Itália referem-se à autoridade que o governo italiano pode usar para intervir em transações financeiras, como fusões bancárias, para proteger os seus interesses nacionais.
Ontem, além de Giorgetti, Maria Luís Albuquerque reuniu-se com o vice-primeiro-ministro italiano, Antonio Tajani, e com vários responsáveis pela Bolsa de Valores, Fundos de Pensões e estruturas sindicais.
A Comissária foi ainda oradora convidada num evento organizado pela imprensa económica italiana, onde abordou o tema da União das Poupanças e Investimentos, fazendo um balanço da iniciativa um ano após o seu lançamento.
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