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Lagarde garante a total privacidade de quem quiser pagar com euros digitais

A presidente do Banco Central Europeu afirma que "os europeus serão livres de decidir se querem utilizar numerário, o euro digital ou qualquer outra forma de pagamento"

08 Ago 2026 - 08:31

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Christine Lagarde/foto BCE

Christine Lagarde/foto BCE

Numa carta endereçada ao deputado europeu Gerald Hauser, dos Patriotas para a Europa (que integra deputados de partidos de 15 países europeus, incluindo o Chega, de Portugal), a presidente do Banco Central Europeu (BCE) garante a total privacidade dos dados relativos aos cidadãos que queiram utilizar o euro digital como forma habitual de pagamento.

Na missiva conhecida na passada sexta-feira, Christine Lagarde afirma que “os europeus serão livres de decidir se querem utilizar numerário, o euro digital ou qualquer outra forma de pagamento”, acrescentando: “o Eurosistema está a garantir que o euro digital oferecerá o mais elevado nível de privacidade e uma proteção de dados robusta. Com efeito, garantir a privacidade dos utilizadores tem sido uma preocupação central do projeto do euro digital e da proposta legislativa da Comissão Europeia desde o início, tendo o BCE disponibilizado regularmente informação no seu sítio Web para explicar ao público em geral as características do euro digital em matéria de privacidade”.

A presidente do BCE garante uma segurança quase absoluta dos dados pessoais, quer nas transações online, quer nas offline.

“No caso dos pagamentos online em euros digitais, tal como acontece com outros métodos de pagamento digitais, apenas os prestadores de serviços de pagamento dos utilizadores poderão associar os pagamentos à identidade dos mesmos. Isto destina-se a assegurar o cumprimento das regras de prevenção do branqueamento de capitais e do financiamento do terrorismo”, diz Lagarde, salientando que “para utilizar dados pessoais para fins comerciais, os prestadores de serviços de pagamento terão de obter o consentimento explícito do utilizador”.

No caso das transações offline, “a funcionalidade offline do euro digital oferecerá um nível de privacidade semelhante ao do numerário: os dados pessoais relativos às transações efetuadas offline em euros digitais serão conhecidos apenas pelo ordenante e pelo beneficiário. Nem os prestadores de serviços de pagamento do ordenante e do beneficiário, nem o Eurosistema, poderão consultar os dados pessoais relativos às transações efetuadas offline”, diz aquela responsável.

Na carta, Lagarde adianta que “em conformidade com a proposta legislativa da Comissão Europeia, o Eurosistema não poderá identificar os utilizadores que efetuem ou recebam pagamentos, protegendo assim os seus dados pessoais. Os dados disponibilizados ao BCE serão encriptados e pseudonimizados através de tecnologia de ponta e de técnicas destinadas a reforçar a privacidade”.

“O Eurosistema aplicará regras e controlos rigorosos sobre quem poderá aceder a estes dados encriptados e continuará disponível para explorar novas técnicas de reforço da privacidade à medida que as tecnologias evoluam”, adianta a presidente do BCE.

O Eurosistema assegurará “igualmente que os prestadores de serviços relacionados com o euro digital salvaguardem os direitos dos utilizadores finais à privacidade e à proteção de dados, aplicando as mesmas regras de privacidade e proteção de dados que se aplicam ao Eurosistema, impondo controlos robustos em matéria de tecnologias da informação e cibersegurança, e incluindo fortes salvaguardas contratuais, como direitos de auditoria e penalizações em caso de incumprimento contratual”.

Em relação ao equilíbrio adequado entre privacidade e combate ao branqueamento de capitais e ao financiamento do terrorismo, a presidente do BCE devolve o assunto aos eurodeputados, afirmando: “em última análise, cabe aos colegisladores da UE decidir qual o equilíbrio adequado entre o objetivo de garantir a privacidade e outros objetivos de política pública — como o combate ao branqueamento de capitais e a outras atividades ilícitas — no Regulamento relativo ao euro digital”.

Na missiva ao eurodeputado dos Patriotas para a Europa, a presidente do BCE deixa também a garantia de que a criação do euro digital será um complemento ao numerário. “O numerário constitui uma parte importante da liberdade de escolha dos europeus quanto à forma como efetuam os seus pagamentos e é essencial tanto para a resiliência do nosso sistema de pagamentos como para a inclusão financeira”, diz Lagarde.

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