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Relatório mostra que o dinheiro em espécie continua a crescer no sistema financeiro

Inquérito realizado a 37 bancos centrais de seis continentes pela Currency Research revela tendências surpreendentes sobre a moeda física

06 Ago 2026 - 14:31

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Foto: Pexels

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A iniciativa Cash Resilience Strategy Initiative (CRSI), protagonizada pela Currency Research, realizou um inquérito a 37 bancos centrais de seis continentes entre o final de 2025 e o início de 2026. Os resultados revelam um panorama complexo e globalmente divergente sobre o papel do numerário nos atuais ecossistemas de pagamentos.

Entre as principais conclusões está o facto de o numerário em circulação continuar a aumentar em termos absolutos. Dos 37 bancos centrais inquiridos (o estudo não abrangeu o Banco Central Europeu), 31 registam um aumento do numerário em circulação, 4 reportam níveis estáveis e apenas 2 indicam uma tendência de diminuição. Segundo o documento, “estes resultados contrariam a narrativa dominante de que o mundo está a abandonar rapidamente a utilização de moeda física”.

O estudo evidencia uma clara diferença geográfica entre a experiência dos bancos centrais das economias em desenvolvimento e emergentes e a das economias mais avançadas. Em África, na América Latina, na Ásia-Pacífico e no Médio Oriente, o numerário em circulação cresce, em regra, entre 7% e 12% ao ano, impulsionado por fatores como o crescimento da população, as necessidades de inclusão financeira, o peso da economia informal e as limitações das infraestruturas digitais.

Em contrapartida, algumas economias de maior dimensão — com destaque para o Brasil — registam uma diminuição da utilização relativa do numerário, enquanto a África do Sul reporta um crescimento do numerário em circulação próximo de zero.

Na maioria das jurisdições analisadas, a adoção dos pagamentos digitais continua a acelerar. Contudo, esse crescimento não se traduziu numa redução equivalente da utilização do numerário.

O fenómeno do crescimento paralelo dos pagamentos digitais e do numerário em circulação verifica-se em geografias muito distintas, como o Gana, o Quénia, o Cazaquistão, a Colômbia e as Filipinas. Em muitos casos, as plataformas digitais estão a expandir o ecossistema global de pagamentos, em vez de substituírem o numerário.

Um dos aspetos recorrentes identificados pelo inquérito é a escassez de dados detalhados sobre a utilização efetiva do numerário. Muitos bancos centrais utilizam o volume de numerário em circulação como indicador indireto da procura de dinheiro físico, não dispondo de dados ao nível das transações. Além disso, os inquéritos aos hábitos de pagamento dos consumidores, quando existem, são normalmente realizados apenas de dois em dois anos. Esta insuficiência de informação constitui uma limitação importante para a definição de políticas públicas baseadas em evidência.

Em todas as regiões, os desafios operacionais mais frequentemente referidos pelos bancos centrais são a previsão da procura de numerário, a logística e distribuição de notas e moedas — sobretudo em países extensos ou geograficamente dispersos — e os custos e a disponibilidade das infraestruturas de numerário. Questões relacionadas com a segurança, a contrafação de notas e os procedimentos de tratamento do numerário também surgem entre as principais preocupações, especialmente em África.

Os bancos centrais destacam de forma consistente que o numerário continua a desempenhar um papel fundamental enquanto meio de pagamento universal e inclusivo, acessível a todos os segmentos da população, independentemente da sua situação bancária, nível de literacia digital ou acesso a redes de comunicações. O numerário é igualmente considerado um elemento essencial de resiliência, funcionando como alternativa de recurso em situações de falhas das infraestruturas digitais, incidentes de cibersegurança ou catástrofes naturais.

Embora muitos antecipem uma diminuição gradual da quota do numerário no total dos pagamentos, muito poucos preveem uma redução acentuada ou de curto prazo do volume absoluto de numerário em circulação. O cenário predominante aponta para uma procura sustentada de numerário, uma transição gradual para ecossistemas de pagamentos híbridos e uma continuação do investimento em infraestruturas de numerário, em paralelo com o desenvolvimento dos canais de pagamento digitais.

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